LULALCKIMIN 2022

A aliança do ex-tucano com o petista é mais uma prova de que na política tudo é possível.

Por CARLOS SANTANA 23/12/2021 - 16:05 hs
LULALCKIMIN 2022
Bolsonaro chamou a parceria dos políticos de " o cruzamento do porco-espinho com capivara"

 As chances reais de Geraldo Alckmin disputar a eleição na vice-presidência da chapa de Lula da Silva em 2022 ganha relevância há menos de 1 ano da disputa. O político do interior paulista poderia trazer com a sua reputação o ativo moral que a campanha petista precisa e de quebra ter mais próxima de si a cadeira presidencial. 


 A aproximação dos antigos adversários, contudo, não encontra grande resistência na militância petista. Segundo pesquisa do Datafolha, 70% dos potenciais votantes do PT não se importarão com a nova aliança, sem contar que 16% acreditam que o apoio do ex-rival pode ajudar na campanha. 


 O PT e o PSDB nasceram nos anos 80 durante o processo de redemocratização do Brasil e os seus fundadores fizeram parte do MDB - único partido na época autorizado a se opor à ARENA que apoiava o regime militar. Mas embora tenham surgido no espectro da esquerda, há quase 20 anos seria impensável um palanque com Lula e Alckmin falando pelo mesmo lado. 


 As eleições presidenciais de 2006, por exemplo, tiveram o PT em meio ao recém descoberto esquema do mensalão enfrentando pela 4ª vez o PSDB. Com a economia crescendo anualmente mais de 4 por cento, a vitória de Lula era certa no 1º turno, mas após surgir - às vésperas da eleição - um suposto dossiê que teria sido comprado por petistas com objetivo de prejudicar os rivais, o pleito foi decidido em um feroz 2º turno.  


 Os debates entre os candidatos trouxeram acusações pessoais e morais consideradas insuperáveis pelos correligionários de ambos. 


 É inesquecível a cena de Lula quando atacado sobre a corrupção de seu partido fez lembrar Alckmin de que foi no PSDB onde tudo começou com a compra de votos na PEC da reeleição em 1997. "Não seja leviano candidato".


 Depois de derrotado, o então partido de Geraldo Alckmin ainda seguiu tentando em 2010 e 2014 - nesta última passou a questionar o sistema eleitoral solicitando inclusive recontagem de votos e posteriormente capitaneou no Congresso Nacional as primeiras investidas que resultaram no impeachment de Dilma em 2016. 


 Dois anos após tirarem o PT do poder, o PSDB viu amargar com 5% dos votos o governador que após a derrota, teria se sentido traído dentro do partido que ajudou a fundar. Geraldo Alckmin,  sem mandato desde 2018, passou para os bastidores acompanhando atentamente o enredo dos outsiders até que lhe foi chamado - apoiado dessa vez por velhos desafetos - o retorno à cena política.


O PT, há duas décadas, emplacou junto com a esquerda o discurso do "nós contra eles" e agora precisa combatê-lo para voltar ao poder. Naquele tempo, "eles" seriam os aliados dos rentistas beneficiados com a pobreza representados por Alckmin e o PSBD; e o "nós" seria o povo sofrido personificado na figura de Lula.  


Sendo assim o "nós" de hoje - que deverá ser combatido acima de tudo e todos por "eles" - é o Brasil da inflação galopante, crescimento pífio e dólar nas alturas. Resta saber como Geraldo, tão conhecido pela honestidade e afastamento da corrupção, irá conviver - pelo pragmatismo político - em um possível governo com Zé Dirceu, Genoíno e todos aqueles que quatro anos atrás ele estava chamando de "essa gente".