A QUARENTENA DO CRIME

Por CARLOS SANTANA 29/03/2020 - 13:53 hs

Jornais brasileiros denunciam que o crime organizado e as milícias assumiram o papel do Estado na proteção da população promovendo em seu "toque de recolher", a proibição dos bailes funk, e o comércio - com ordens de fechar mais cedo durante a crise do corona nas comunidades cariocas. Após cerca de quatro casos terem sido noticiados na favela de Paraisópolis, moradores se mobilizaram em um comitê de crise para discutir medidas de prevenção para todos os 100 mil habitantes. Tanto no Rio como em São Paulo, o Estado tarda na sua chegada em outras demandas e não está sendo diferente, mesmo nessa situação de calamidade.

O crime ganha também espaço na imprensa europeia quando o Irã, um dos principais países afetados nas mortes pela Covid-19 libertou 54 mil detentos visando "evitar" a proliferação de doenças nos presídios - e Donald Trump ameaça soltar jihadistas presos na Síria se esses não forem repatriados. 

Por aqui, condenados brasileiros em grupo de risco e com idade superior a 60 anos, poderão solicitar a soltura e como uma das opções - a prisão domiciliar. Eduardo Cunha, o ex-presidente da Câmara durante o impeachment de Dilma está em sua casa protegendo-se do corona.

 "Não podemos, a pretexto de proteger a população prisional, vulnerar excessivamente a população que está fora das prisões" disse o ministro Sergio Moro para jornalistas no Ministério da Justiça (19/03). 

A crise que estamos vivendo é, pelo visto o começo de um momento difícil para o país, pois com a paralisação econômica - enquanto as medidas bilionárias do governo não chegam em forma de comida na mesa do brasileiro - há grandes chances de se formar uma convulsão social e por conseguinte o aumento da delinquência. Os Bandidos, se encontrarem nesse cenário de benevolência da justiça o precedente da impunidade, corremos sério risco de iniciarmos uma guerra, e não será contra o vírus.

*jihadistas - extremistas islâmicos em guerra na Síria